sexta-feira, 15 de abril de 2011

Retomando...

Duas poesias feitas por ai, numa aula qualquer.. por um sentimento qualquer..


Magia dos olhos

Seus olhos parados
Fixam tudo a meu redor,
Paralisam o ares,
Fotografam minha ternura.

Seus olhos sinceros,
Disparam.
Pesam minha conduta.

Seus olhos vorazes,
Procuram,
Racionalizam minha culpa.

Seus olhos calados
Exprimem,
Meu doloroso sonhar.

Seus olhos sábios
Desnudam
A alma que me devora.





Semelhantes

Reconhecer
Um toque no ar
Espelhando o sentir.
Por fora sorriso marfim,
No âmago doloroso existir.
Pontuo as escolhas,
Atos calados,
Nos fazendo iguais,
Como um mero reflexo
Dos erros maiores
Do tentar mais sincero
E do sensato pezar.
Pensar na imagem
Figuram-se a mim,
Anjos fracassados.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Fim de Tarde

Depois de anos-luz posto de novo. Dessa vez uma crônica que enviei ao Concurso de Crônicas da Feira de Literatura de São João Del-Rei, conseguindo o 4º lugar pelo Júri e o 1º através do Júri Popular pela internet.




Fim de tarde




Fim de tarde. Ao fundo, o badalar dos velhos sinos. Os mesmos seis toques de todas as tardes, que marcam a sua presença.
Lá vai ele, cabisbaixo, mãos no bolso do paletó surrado.  Se não fosse assim, tão triste e encabulado, talvez notasse aqueles olhos sedentos de sua forma tediosa, que há tanto tempo lhe acompanham.
A quem possa parecer, é um encontro marcado. Ele em sua doce solidão, com seu olhar vago e seu sorriso impreciso; e os olhos, aqueles olhos, brilhantes de querência, de tentação, sempre à mesma hora, no mesmo local.
Um andarilho mais atento se interessaria por saber o que há nesse par, tão simplório e envolvente. Em que há tanta destreza nessa fuga inconsciente e tão mais insistência nesse fazer-se notar? Eles se diferem em algo, mas não há um alguém mais interessado, nem tão pouco esforçado, em revelar tão singelas posições. Só há ele e seu caminhar matreiro, que transborda melancolia, uma dor lancinante. Em contraponto, tem aquele par de olhos, que sobrevivem ao pesar do desejo não revelado, não vivido.
Dia após dia, os dois se desencontram. Toque após toque dos sinos, os passos naquela viela, com a graça da antiguidade, são dados e trazem vida à casa de detalhes azuis, janelas brancas e aos olhos, aqueles olhos.
Eles não se cansam de ver, apenas ele passar e ir, não se sabe para onde, nem tão pouco interessa saber. A única coisa importante daquele momento, seis badaladas, é que ele vem, deixa o cheiro da sua solidão ao atravessar a rua. Há quanto tempo se observa essa tranquila dança de desencontro? Um mês, seis meses, dois anos?...
O tempo é impreciso, se arrasta com toda a dificuldade das seis badaladas que demoram tanto a serem ouvidas. Cada passagem inicia o martírio diário daqueles olhos profundos, sua emoção é a espera e nada mais. Há muito perdeu a esperança de que ele lhe notasse, buscou satisfazer-se com o que tinha: sua visão. E tentava dela, a cada novo encontro, tirar maior proveito. Os olhos eram como máquina fotográfica, podiam guardar e dizer cada característica dele. A manga puída do paletó, os sapatos mal engraxados, as camisas de cores sóbrias, o corte no rosto da barba feita às pressas. Tudo estava ali e a cada dia eram essas imagens que lhe invadiam a mente.
Naquela nova tarde, as mesmas badaladas, a mesma rua, a mesma janela, os mesmos olhos. Só ele não era o mesmo. Vinha com as mãos leves, soltas ao lado do corpo, a cabeça altiva. Observava, algo acontecera, não era mais alguém tomado pela desesperança. Era homem, como todos os outros.
As novidades parariam por aí? Subia a rua com leveza, parecendo querer compensar cada passo pesado de antes. Parecia sorrir, com a verdade de quem sabe o que quer. E a cada passo que dava e mais próximo da janela branca ficava, aqueles olhos se emocionavam, de novo. Não é necessário dizer, a que se parecia essa emoção, o acontecimento seguinte fala por si.
Ele virou-se. Olhou e encontrou aqueles velhos companheiros, brilhando de contentamento. Tudo parou, nada mais tinha significado. Apenas os dois, ele e seu admirador. Foi o instante em que os olhos se calaram e ele quis falar.
Papéis invertidos. Acabou. O relógio voltou a girar, os carros a passar. Mas algo havia mudado. Outra tarde, seis sons do sino, passos pesados, ombros caídos. Olhos na janela, à espreita. Ele passa. E os olhos sorriem.

domingo, 28 de novembro de 2010

Um mundo sem amor?

Depois de séculos, volto ao blog! Como gosto disso...
Vai um poeminha feito as pressas essa semana, numa madrugada qualquer...


Eu creio no amor
E como não fazer?
Das manifestações mais sublimes,
Das concretizações mais leves
É assim esse senhor dos tempos,
Das verdades inscritas,
Pelo mais puro dom.
Nos passos e espaços
Completando seres, unindo a fé
Não há como não ser assim,
Tão crente na quietude da sua ação
E na eficácia tão necessária.
Tentei um dia ousar,
Pensar o mundo
Por um momento que fosse
Sem o amor.
O tempo nem um segundo passou 
O mundo sucumbiu
E nós deixamos de existir.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Nota-se...

         Será que é demais perceber que eu estou aqui?? Ei ei.. eu preciso gritar isso? Então eu grito: OLHA EU AQUI!!! Tem um coração batendo descompassado, tem um olhar vazio, um sorriso sem vida e braços sem acolhida. Captaram a mensagem? Eu existo, por mais surpreendente que possa parecer, sim, sou de carne, osso, sentimentos e desgostos. Você consegue entender? Eu tenho que fazer isso, te fazer compreender, como é viver assim, tão a margem da vida, a margem de tudo. Começo por dizer: lembra dos gritos? São eles minha arma, ou você acha que alguém por si só irá se preocupar em notar uma alma adormecida, amortecida? Se não os chamo, não os tenho. Sim! Olhos em mim, olhos que vejam tudo que se passa, que notam um pouco de essência escorrendo a cada segundo, minuto, num ritmo minimamente calculado. Nada de mais, nada de menos... só a vida se distanciando. Por um momento supôs que meus gritos valessem a pena não foi? Acredito em vão... ilusões, meras e infrutíferas ilusões.
            Nasci assim... um figurante da vida.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Momentos...

Eu dou risada da minha tristeza,
A falta de coragem
Pra fazer mudança.
A pouca vontade
De seguir em frente.
Ternura, que foi,
Sorrir e depois,
Caminhar indiferente,
Um passado,
Calado espaço
De vivências intensas,
Solidão constante
E nada além.
Esperar o amor
Nascer, resplandecer.
Em mim...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Minha pequena


Doce menina
Que visita minha mente,
Com seu jeito faz 
Brilhar os olhos meus,
De maneira condescendente, 
envolvente.
Quero fazê-la sorrir
Tornar-me viva a ti,
Pequena alegria.
 
Ouvir seu sonhar
Pensar você
Como a beleza
Com o querer
E o pesar.
De você ser assim,
Bem impossível a mim.

Longe e aqui
Presa ao tempo,
Faço números de suas contas,
Que caminhe rápido,
A florescer você,
Em mulher de amar,
De morrer de amores.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Ser ou não-ser?

Sinto uma pressa de não-ser. Não ser o que espera de mim, não ser quem te acolhe, não ser quem sustenta a sua versão dos fatos... fadados erros sem fim. É necessário a minha precisão, essa falta do ser. Não sou, nem serei o melhor pra você, não sou nem serei o seu amor, o seu carinho. Não sou e não espero ser marcante pra você, nem envolver-te em laços de emoção sem fim. Não serei mais, o motivo da sua descompensada falta de razão, nem mesmo dos seus perdidos desejos.
A vida caminha assim... vamos vivendo, nos envolvendo e percebendo, em que momento, não somos mais. E pra você, percebi que não sou importante, querida... não da forma que eu, tão certa de ser, esperava. As verdades são assim, quando não ditas, caladas e esquecidas, não deixam de ser. Na forma e hora exatas eu soube. Tudo que julguei não existir, ser obra da mente insegura e pouco prática, era real... sutilmente, real.
Até me dói, saber assim, que ter sonhado ser, foi de todo inútil. Tanta dedicação, tanta coisa deixada pra viver mais tarde, ao seu lado. Ser com você. E hoje, você me faz, simplesmente, não-ser.
Perdi, não só tempo, não só vontade, não só amor. Perdi meu ser. E era tão importante a mim. E agora, ter me desconstruído faz você ser?
Já não tenho mais a paciência de antes, nem quero tê-la, pois ao empregá-la, estarei sendo a você, algo que você não mais merece de mim. Quero guarda-te em meu passado, como o livre esquecimento, do que pude ser. Tão banal e pequena, em aceitar-lhe os desafios tristonhos. Recobro agora, quem sempre fui. E quem, eternamente, agora e em diante, buscarei, outra vez, ser.